Para ser coach será necessário, que o profissional tenha efectuado um trabalho sobre si mesmo, seja através de terapia ou ter ele próprio passado por um processo de coaching. Assim como a supervisão permanente do coach em actividade é de extrema importância. Isto porque o coach como ser humano que é, tem uma cultura própria, com os seus próprios preconceitos e estereótipos. O coach tem que identificar conscientemente os pormenores inerentes à sua cultura, conhecer os seus limites e as suas fraquezas, para saber exactamente com o quê e com quem não se sente confortável para desenvolver um processo de coaching, mas também, conhecer claramente a sua bagagem cultural, facto que o vai potenciar como profissional. O sucesso de um processo de coaching vai depender em grande parte da disponibilidade que o coach tem para compreender o coachee e a sua cultura. Por exemplo, é legitimo o coach sentir dificuldade em trabalhar com pessoas muito mais velhas ou muito mais novas, ou pessoas do sexo oposto, ou pessoas com uma orientação sexual diferente, ou até mesmo com conceitos religiosos contrários aos seus. O que não será legitimo ou ético é o coach aceitar um cliente com o qual sabe que tem dificuldade em trabalhar, ou não referenciar esse cliente a um seu par com medo de perder o cliente, ou, ainda menos ético, não conhecer os seus próprios limites, porque desconhece os seus próprios valores, convicções e crenças (e aqui estamos perante uma das grandes diferenças entre ser ou não ser coach).
Cada cliente, cada coachee, traz consigo uma cultura própria. Podemos, inclusive falar de culturas entre culturas. Por exemplo, o coachee poderá ser facilmente identificado com a cultura da empresa, mas, simultaneamente, ele já traz indicadores de pertença a outros grupos, também eles com culturas próprias. O coach tem que prestar atenção a todas as culturas imersas na mesma pessoa. O mais importante será ter presente que cada cliente, cada coachee traz consigo a sua própria diversidade. O processo de coaching decorre em função da situação, dos valores, das convicções e das crenças do coachee, e não em função do coach.
O papel do coach é de recurso para o coachee. Assim, quanto mais experiência de vida tiver o coach, maior recurso se tornará para o coachee. Um coach com uma mente aberta e com bastante experiência de vida, irá proporcionar ao coachee um processo mais completo, o qual depende da presença de novas perspectivas, novas maneiras de encarar a realidade e novas soluções. A diversidade na experiência do coach, abre oportunidade à criatividade e a novas ideias. Por outro lado, o coach com uma mente aberta também permitirá a entrada de novas perspectivas durante a relação de coaching, o que lhe irá proporcionar a ele, também, aumentar o seu portefólio de recursos que tem para oferecer em futuros processos.
Esta atenção particular à cultura específica ou diversidades presentes no cliente ou no coachee são de destacar em situações em que se registam fusões entre empresas ou em casos em que as empresas se implementam noutros países ou noutras realidades culturais. O importante será o coach, durante o processo, criar um ambiente de parceria autêntica, questionando desde o primeiro momento, de forma a explorar e a ajustar os diferentes contextos, abrindo espaço a novas perspectivas.
quinta-feira, 17 de maio de 2007
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